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06 outubro, 2009

Era só gente!

Há dias estou para escrever o texto que surgirá abaixo. Não existe nenhuma pretensão maior nesse exercício apenas externar aquilo que é guardado e muitas vezes não compartilhado.

Tempos atrás recordava com amigos os tempos idos e jamais esquecidos. Nessa ocasião voltava ao ano de 2000. E nesse desenvolvimento de apego as lembranças, de fatos, de ocasiões, eu me permiti pensar em algo maior.

Existem coisas, pessoas, e fatos que ocorrem despretensiosamente em nossas vidas, quase como um tropeço. Sem razão para começar e sem explicação ao findar, elas acontecem. Muitas das vezes faz questão de deixar marcas. Muita das vezes faz questão de que você leve consigo para todo o sempre um combinado de culpa por não ter aproveitado mais os momentos compartilhados e de saudade daquelas que não fazem bem.

Um sábado ou domingo não me lembro. Os raios do sol insistentes conseguiam atravessar em um primeiro plano as nuvens e depois na tarefa mais árdua, a fumaça que nasce em Volta Redonda, até chegar aos nossos olhos.

O cenário concretizado anunciava mais um grande dia. Como de costume estava à espera da carona marcada para trinta minutos antes. Talvez um chinelo no pé, uma bermuda folgada, um blusa larga, tudo para permitir consonância entre traje e espírito.
Já havia feito aquele trajeto algumas vezes sem nunca saber por qual caminho optar. A indecisão ao final: à direita ou à esquerda, já fazia parte daquele roteiro. Pois bem, Barra Mansa era nosso destino, superando qualquer rivalidade mítica dissolvida no primeiro gole de cerveja.

Destino alcançado. Era o início de uma lembrança perene. Carro estacionado, e depois do sempre complicado exercício de sair do banco de trás, quem nos recebia era um sorriso daqueles largos, encantadores e honestos. Um sotaque nortista nos acolhia como em festas de família. Estávamos ali. E ali era todo motivo para estar. Motivo para lembrar.

Ali, não tinha nada que outro lugar não possa ter. Não havia estrelas para mensurar o aconchego. Não havia sido alvo de criticas culinárias severas. Não havia critérios nem avaliações. Havia gente! Gente da melhor espécie. Gente que gosta de gente e que gosta da gente e gente que a gente gosta!

A razão de tudo aquilo, da alegria fixa em todas as faces, nos gritos e saudações, nos abraços e nos beijos, era a celebração de compartilhar aquela tarde. Cerveja, boa música, torresmo, cachaça, feijoada, artigos principais, mas que se escondiam timidamente perante toda harmonia presente. Risadas soltas e sinceras. Nos sentíamos ali tão a vontade que era nosso lar. A mais perfeita definição. Hoje na lembrança mais saudosa!!

A vida é mesmo assim. Quando estamos em dias especiais quase nunca sabemos. Amizade é um pouco assim. Não as escolhemos, por mais que diga o senso comum. Todos temos amigos, que carregamos com a gente que se nos fosse dada a escolha racional de dizer sim ou não, diríamos não. Mas as coisas acontecem. As pessoas nos escolhem. Amizade é algo que quase sempre só se consegue avaliar quando não a temos mais. A saudade e a ausência agem como jurados implacáveis na busca do lhe faz ou não falta. O que você gostaria ou não de ainda ter com você!

Meu finado avô, grande homem, me dizia que não adianta termos um sentimento e não compartilhar! Esse é o mais puro egoísmo! O que sinto e não compartilho é como se não sentisse! O que sinto e não compartilho é privar os outros de sentir! Dessa forma, esse devaneio em .doc é para uma família especial que carrego comigo no meu coração!!

14 setembro, 2009

Compartilhando

Sempre tive bastante dificuldade em colocar títulos em minhas redações quando criança, em trabalhos de faculdade quando acadêmico e agora nesse exercício de se tornar construtor de alguma coisa em um mundo em que (quase) todos são possibilitados: a tal da web.

Talvez aqui me permita escrever mais as coisas, passando do campo das ideias para o campo da escrita, exercicio dificil mas que possibilita o compartilhar das coisas. Taí... "Compartilhar as coisas", talvez algo que brote no meu consciente racional todas as manhã junto com o despertar vagaroso das pálpebras.

Talvez por isso goste tanto de uma Roda de Samba, onde se compartilham copos, palmas, garçons poesia e vozes; talvez por isso admire e escute Rap Nacional, onde se compartilham guetos, resistência, scratchs, poesia e rimas; talvez por isso seja um entusiasmado ator da Política, compartilhando sonhos, utopias, certezas e indiganções; stalvez por isso seja um apaixonado pela Universidade Pública, locus de compartilhar saber, sotaques, universos e vidas; talvez por isso tenha sido arrebatado pelo Botafogo de Futebol e Regatas, onde se compartilha alegrias únicas, sofrimentos inimagináveis, coisas que só acontecem ao Botafogo; talvez por isso queria escrever tudo aqui, um pouco de Utopias, Ritmo e Poesia.