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31 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 03 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo
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parte final
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Sob o manto alvinegro começava a ver que todos os elementos referentes ao time da Estrela Solitária faziam um imenso sentido. Passava a entender que nada mais metafórico do que entender a força motriz da sociedade – a luta de classes – a partir da dicotomia do preto e do branco. Por mais que existam outras cores, outras classes, outras incríveis subdivisões chegamos quase sempre a disputa inconciliável do preto e do branco, do proletariado e da burguesia, a uma dicotomia - que alguns chamam mediocremente de mecânica – mais isso não passa pela opção marxiana, mas sim é imposta pela lógica colocada nesse sistema da propriedade privada dos meios de produção. Todas as cores, todas as classes vão se resumir na conjunção destas ou na ausência das mesmas: no preto e no branco.


E como explicar a tal estrela que ficava ali única, centrada no distintivo? Única como a saída apontada pelos bolcheviques. Única como a capacidade dos trotskistas de serem os únicos a levarem o movimento de massas à vitória perpassando os obstáculos dos aparelhos. A estrela desse modo representa a vitória das massas e única já que não cabe a tradição bolchevique aceitar as saídas generalistas de que outro mundo é possível, como se as opções fosse variadas. Para nós a situação está dada: ou socialismo ou barbárie. A saída é única e não nos cabe colocar uma cortina de fumaça sobre esta verdade inexorável. A estrela brilha sozinha, pois somente a vitória será plena com a revolução proletária mundial e a expropriação da propriedade privada dos meios de produção. Não é certo jogar pela confusão, é sempre mais revolucionário expor a verdade aos oprimidos, abrir-lhes o caminho da revolução.

Começava a transpor o terreno enlameado das hesitações e sentia que as certezas eram cada vez mais claras. O que pensar quando recordava que o maior entre todos aqueles que atuaram pela esquerda vestiu somente o preto e branco. A atuação dos heróis de Petrogrado residia naquela experiência. Reparem: Nilton Santos não aceitava que ele, enquanto responsável da ala esquerda, aceitasse passivamente o desenrolar do jogo se limitando a defender. Eis que um dia realizara movimento antes nunca observado: foi ao ataque. Era simplesmente uma mudança total daqueles que atuavam naquela posição canhota. O ataque era inimaginável e exclusivo dos que atuavam pelo centro, em um jogo quase sempre burocrático. Nilton negava esta premissa e começava a mostrar a todos que pela esquerda existia uma saída aberta para o ataque. Uma saída rápida contundente e que penetrava com êxito na defesa adversária. Ousaria alguém apontar uma única diferença entre tal prática e os bolcheviques nas jornadas de outubro?

Meus sentimentos iam se acalmando de forma espontânea a cada conexão finalizada. Era um movimento quase mágico que se desenvolvia e me trazia de novo para minha total existência. O que dizer então do fogo, elemento crucial para a dominação do homem sobre a natureza, elemento transformador da categoria principal da análise marxista: o trabalho. O que pensar quando recordamos que a primeira taça do clube de General Severiano era erguida em 1904 no mesmo momento em que os bolcheviques se preparavam para o movimento de 1905 – preâmbulo indispensável para 17. Separados por mares e quilômetros se levantavam para o mundo de forma quase simultânea.

Assim foram se erguendo, como vanguarda de dois movimentos. Em suas fileiras sempre os elementos mais destacados, não toda a massa. Não nos colocamos diluídos no movimento de massas. Dialogamos de forma permanente com todos guardando nossa independência e nossos princípios. Fazemos parte daqueles que se convencem através da experiência e não um grande contingente de massas disperso. Não há registro algum de um individuo que tenha nascido bolchevique. A opção política não é genética, inerente ao destino ou qualquer outra forma transcendental: é uma opção voluntária, uma opção material. É através da experiência política que as pessoas escolhem uma saída e lutar por ela. É dessa forma que elas escolhem o Bolchevismo. E não é em nada diferente com nossas outras escolhas. Nascemos vítima de um senso comum, do fatalismo avassalador da sociedade contemporânea, lançados em uma câmera hermética de opções dadas. Cristãos, monogâmicos, consumidores de Coca Cola, admiradores do samba da verde e rosa, defensores de uma moral familiar onipresente. E quem acha que tal fatalismo não recai sobre nossas opções desportivas? Seria ignorância plena recusar tal enunciado.

08 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 02 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo


Ali parei em busca de uma solução definitiva para este imbróglio. Resolvi pensar em cada detalhe, em cada hipótese colocada para não deixar brecha e nem vacilo algum em meu cerebelo. Era minha intenção uma solução hermética, incapaz de ser importunada por qualquer argüição. Então comecei. Antes de qualquer coisa precisava de elementos capazes de me situar naquele redemoinho de informações.

“Trotskismo!”. “Marxismo!”. “Meios de Produção!”. Pronto. Chegava até esse ponto. No Brasil a riqueza, os meios de produção, a burguesia capaz de formar seus próprios coveiros, estavam localizados em um eixo principal: Rio – São Paulo. Ali entre tais estados deveria estar obrigatoriamente minha agremiação futebolística politicamente correta. Tal opção consciente era um primeiro passo para conservar meus sentimentos de modo pacífico. Mas ora, existem tantas, quase inumeráveis equipes, clubes e grêmios recreativos. Resolvi pensar então que para os trotskistas não necessariamente é necessário que esteja em um grande partido de massas, mas é inegável que existe a necessidade de se incorporar de alguma forma ao movimento de massas. Aquelas organizações que não conseguem reunir mais de uma centena de adeptos a sua causa não passam de seitas histéricas que fazem da denúncia sua prática maior.

Limitava desse modo minha consciência grandes clubes que se ligavam pela Rodovia Presidente Dutra. Comecei então a pensar em cada um, me corroendo de receio de eu mesmo descobrir que estava errado. Receio que acabou comprovado sem razão, pois ali estava o começo de uma redenção para minha total existência, um início da linha de argumentos irrefutáveis que demonstrarei a seguir.

Descartei clubes identificados a elementos estranhos à tradição revolucionária. No Rio dois clubes já ficavam pelo caminho. Como conciliar uma atividade política com o nome de um colonizador Português? Ou ainda como seria torcer por um time cujo nome remetia a antiga região belga de Flandres colonizada pela Holanda, a mesma Holanda que por anos pilhou nossos irmãos pernambucanos? Não seria a mais alta bravata de todas!? Comprovava que tal feito não era possível, para minha imensa alegria. Em São Paulo, pensava em uma agremiação que carregava consigo uma propaganda perene de elementos religiosos, intermediários divinos em solo terreno, não! Seria demais! Restavam dessa forma cinco escolhas. Os dois times das três cores (três cores também eram as cores da grande revolução burguesa liberal ao final do século XVIII) estavam identificados com a aristocracia brasileira, sendo assim descartados de forma incisiva. O escopo da escolha diminuía para três. Ali residia meu futuro! Pois bem, me lembrei dos porcos de Orwell, metáfora de uma obra de envergadura mundial, que representava muito bem o totalitarismo soviético, os Processos de Moscou a partir da década de 30 que se afastava cada vez mais das concepções de Marx, Engels, Lênin e Trotsky na busca do socialismo. Não poderia adotar porcos no prosseguimento do meu caminho e concilia-los com uma concepção política metaforicamente definida como “anti-porcos”. Rejeito categoricamente a camarilha burocrática soviética e assim todos os seus símbolos e metáforas. Duas opções ficavam naquele momento. E para não me acusarem de ficar com a opção que restou, como se essa fosse detivesse menor mérito, a escolha entre as duas últimas opções foi feita de forma positiva. Não neguei alguma para escolher outra, parti do critério que escolhendo uma, a outra concorrente estaria automaticamente negada, e assim foi feito. Aqui cabe ressaltar, antes de dar prosseguimento, que não tenho dúvidas de que se essa fosse a metodologia utilizada no início de nosso processo investigativo o resultado final seria o mesmo. Frente as minhas escolhas restantes a tarefa era mais singela do que poderia imaginar.

Ao pronunciar os dois nomes das agremiações colocadas, fiquei entre a que incitava as massas a uma medida de rebeldia e outra opção que nada colocava para as massas a não ser um emaranhado de consoantes estranhos à fonética da Língua Portuguesa. Estava entre uma palavra de ordem que dialogava em certo sentido com os trabalhadores para que esses se sublevassem contra as normatizações legais de nossa sociedade e uma outra que confundia, que não se traduzia em atividade prática nenhuma. Minha escolha estava feita, mas a tarefa estava longe de ser concluída. Ainda restava justificativas que me assegurassem minha existência plena.

07 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 01 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo


Antes que me acusem de diletante forçoso no exercício de unir categorias diacrônicas busco salientar que a dimensão deste texto não busca o reconhecimento de quem quer que seja nem tão pouco a aceitação de normas epistemológicas mais sérias. A intenção restrita repousa em uma solução coerente para ilações que nunca foram muito convincentes as pessoas ao meu redor e que puderam compartilhar como tantos outros um aspecto marcante que carrego comigo: eu sou antes de qualquer coisa, ou melhor dizendo, a minha condição para ser, é que sou um trotskista alvinegro enaltecido pela magia de carregar uma estrela solitária e certo de que a classe operária através de suas organizações é única força motriz da sociedade capaz de direcionar a humanidade para longe da barbárie para seguir assim rumo a uma sociedade sem exploração.

O exercício destas linhas não teve sua aurora por agora. É certo que há pelo menos um decênio uma dúvida me assombrava de modo angustiante, fazendo com que por diversas oportunidades, eu me penitenciasse sem ser julgado por ninguém além de minha própria consciência confusa. Era possível ultrapassar um competente crivo marxista, e afirmar minha concepção política, tendo uma dedicação apaixonante por um clube de regatas e futebol? Estaria eu incorrendo em um erro de princípio ao deixar com que um escudo e sua prática no futebol atuasse como a mais categórica alienação das obras juvenis de Marx? Buscava eu – uma versão de Quixote carregando consigo uma foice e um martelo nas mãos e protegido por uma manta alvinegra, conciliar elementos contraditórios em sua essência? Ou ainda refletia sob uma outra perspectiva: seria eu digno de entoar o mais belo dos cânticos de Lamartine Babo sabendo que uma outra canção de A INTERNACIONAL acabava me fazendo tão efusivo quanto? Poderia eu comemorar um gol ao lado direito do Maracanã abraçando aquele que na segunda feira abre seus portões para extrair a mais valia da força de trabalho de milhares? Como tripudiar em cima de alguém, ameaçando a unidade de classe, depois de uma vitória efusiva se de fato somos todos contra os senhores?

E permito aqui confidenciar que penosa hesitação habitou horas incalculáveis de meus pensamentos. Buscava sempre uma resolução que me desse licença - sem ser onerosa a consciência - para manter vivo dois sentimentos incapazes de desaparecer voluntariamente de mim. Sentimentos que pareciam digladiar de forma constante em busca de uma simples primazia em minhas reflexões. Sentimentos que insistiam no ato perpétuo de buscar a supressão um do outro.

O caminho por onde seguia minha indecisão chegava ao ponto crucial dos caminhos literários: uma encruzilhada. Não era permitido avançar um passo sequer sem que renunciasse a qualquer um dos sentimentos, tendo ainda o pesado fardo consciente de que a renúncia significaria naquele momento mais do que o sepultamento de emoção tão pura, era mais do que isso. A renúncia significava a negação de parte da minha própria existência. A renúncia significava que aqueles com que por muito tempo debati e que algumas vezes convenci, acabavam sem esforço nenhum reafirmando todas aquelas estranhas posições por sobre as minhas. Não por eles, mas por mim mesmo, em uma disputa retórica inteiramente subjetiva e silenciosa.

Era estranho chegar até ali e me ver pensando em tudo isso. Talvez fosse mais fácil – e sim, seria! – lançar mão de uma sorte casual e decidir. Pronto. Decisão é decisão. Não cabe contestação. Mas não! Eu, marxista, convencido dos princípios da dialética materialista, refém da sorte? Talvez meu orgulho, o mais íntimo, na busca de uma ortodoxia inalcançável tenha me salvado de uma surda disputa entre a cara e a coroa!










06 outubro, 2009

Todo apoio ao povo de Honduras contra o Golpe!


Todo apoio ao povo de Honduras contra o Golpe! Restituição de Zelaya na presidência e Constituinte Soberana!

Passados mais de 90 dias do golpe de Estado contra o presidente de Hon­duras, Manuel Zelaya, dado para im­pedir a realização da consulta popular pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, a resistência do povo de Honduras e suas organiza­ções sindicais e populares não cessa.

É essa resistência, expressa em 15 de setembro, “Dia da Pátria”, por cen­tenas de milhares de manifestantes em Tegucigalpa exigindo a saída do gol­pista Micheletti, que possibilitou o re­torno ao país do presidente eleito que abrigou-se na Embaixada do Brasil.

Nesta situação, a condição para qualquer saída democrática e a favor do povo, é a recusa do Plano Arias (fabrica­do nos EUA) como base para um “acor­do” com os golpistas que têm as mãos sujas de sangue do povo hondurenho.
O governo usurpador decretou Es­tado de Sítio e não permitiu a entrada de uma delegação da OEA no país, para logo depois hesitar, pois até o congresso controlado pelos golpistas não deu seu aval.

Ao contrário de refrear o movi­mento de resistência - no qual jogam papel central organizações sindicais e camponesas - as medidas do Estado de Sítio, como o fechamento da Radio Globo e do Canal 36, e, depois, o de­salojamento dos 57 militantes que ocu­pavam o Instituto Nacional Agrário em 30 de setembro, reforçaram a determi­nação de luta contra os golpistas.

Estados Unidos e Brasil

A secretária de Estado de Obama, Hillary Clinton, quando do retorno de Zelaya a Honduras, declarou que a solução poderia estar próxima. Mas dias depois, o embaixador dos EUA na OEA criticou o retorno do presi­dente eleito ao seu próprio país como uma “aventura”. O imperialismo mais poderoso demonstra, no mínimo, uma incerteza que resulta em complascên­cia com o golpismo.

Por seu lado, o governo Lula respon­deu às ameaças de Micheletti, que exige a entrega de Zelaya, dizendo “não acatar o ultimato de um golpista usurpador de poder”. O representante do Brasil na OEA criticou duramente a inação da organização “que pode se tornar irrelevante”. O chanceler Celso Amorim, por seu lado, disse que “o Brasil é guardião do presidente legí­timo de Honduras”. Atitudes corretas.

Por isso tem razão as entidades (dentre elas a CUT e o MST) que convo­cam um ato de solidariedade contra o Golpe em Honduras, em 2 de outubro em São Paulo, quando se colocam “na defesa da embaixada do Brasil contra qualquer ataque ao presidente eleito Manuel Zelaya, aos ativistas e dirigentes que o acompanham, bem como contra qualquer funcionário da embaixada.”

A posição correta do governo brasileiro de apoiar um presidente eleito e deposto por um golpe em Hon­duras, contrasta com a presença de tropas brasileiras à cabeça da missão da ONU no Haiti, onde também o presidente eleito, Aristide, sofreu um golpe e foi expulso do país. Às vé­speras da renovação do mandato das tropas no Haiti por mais um ano em 15 de outubro, a defesa da soberania dos povos exige todo apoio à resistên­cia do povo hondurenho contra o gol­pe, da mesma forma que a retirada das tropas da ONU do Haiti.

Reforçar os laços de solidariedade
A Frente de Resistência em Hondu­ras, mesmo nas difíceis condições de repressão geradas pelo golpe que cau­saram mortes e prisões, convoca para 8 e 9 de outubro um Encontro Interna­cional em Tegucigalpa para reforçar a luta pelo retorno do presidente legítimo e a convocação de uma Assembléia Constituinte Soberana que atenda as reivindicações da nação oprimida (terra, justiça social, controle soberano dos recursos naturais), reivindicações que marcam as lutas dos povos no con­tinente contra a opressão imperialista.

Está claro que o protagonista princi­pal da situação em Honduras é a mobi­lização revolucionária do povo. A mais ampla Frente única está colocada para derrotar os golpistas e abrir a via para que o povo de Honduras tome em mãos seu próprio destino através de uma As­sembléia Constituinte Soberana.

Revolução e contra-revolução se enfrentam em Honduras e toda a América Latina está atenta ao que está em jogo. Derrotar o golpe em Honduras com a solidariedade ativa das organizações operárias e popula­res do continente é traçar a via para a União Livre de Nações Soberanas da América Latina em colaboração com os explorados e oprimidos dos Esta­dos Unidos e Canadá.

Sigamos mobilizados e preparados para dar continuidade a manifesta­ções de apoio e solidariedade à luta do povo de Honduras contra o golpe e pela Constituinte!

São Paulo, 1º de Outubro de 2009

Corrente O Trabalho do PT, seção brasileira da 4ª Internacional


25 setembro, 2009

ABAIXO A DITADURA GOLPISTA! ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE!


ABAIXO A DITADURA GOLPISTA!
ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE!

Madrugada de 22 de setembro: mais de mil policiais e militares, segundo testemunhos, se lançam com tiros de fusil e bombas de gás contra 5 mil pessoas que se postaram em frente à embaixada do Brasil, em Tegucigalpa, para proteger o presidente Manuel Zelaya que decidiu regressar a Honduras para fazer valer o direito de terminar o mandato presidencial para o qual foi eleito pela população.

Desde o momento em que Manuel Zelaya, presidente legítimo, voltou, a luta do povo hondurenho contra os golpistas tomou fôlego. Apesar da reação assassina do governo de Micheletti que ataca o povo, que prende, fere e mata, e que não duvida em agredir a Embaixada do Brasil onde Zelaya se refugiou, a movilização popular, inclusive utilizando barricadas, convocada pela Frente Nacional Contra o Golpe de Estado, se estendeu obrigando o regime a levantar o toque de recolher.

A ditadura que realizou o golpe contra Zelaya em 28 de junho passado, com o apoio dos comandantes do Exército hondurenho, dos partidos da oligarquia e, por trás deles, do embaixador norteamericano, busca manter-se no poder à custa de sangue e contra a vontade de todo um povo. Mas a realidade é que 7 dias antes do regresso de Zelaya, no dia da comemoração da “Festa Pátria”, o governo de Micheletti mostrou seu total isolamento da população.

Em 15 de setembro 500 mil trabalhadoras, trabalhadores, jovens, habitantes dos bairros pobres desfilaram ao chamado da FRENTE NACIONAL CONTRA O GOLPE DE ESTADO para comemorar a primeira independência deste país (1821) e para assinalar que estão por uma segunda independência, expressa na luta pela ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE para impor instituições democráticas, para defender la soberania nacional. No mesmo dia o governo golpista só pode reunir 4 mil pessoas, fechadas num estádio de futebol, protegidas pelo Exército, muitas delas obrigadas sob pena de represálias no trabalho.

O povo hondurenho sentiu o regresso de Zelaya como uma conquista de um movimento que já dura 88 dias, com manifestações diárias, a maior parte das vezes ignoradas pela imprensa internacional interessada em promover o Plano Arias-Clinton, que significa o regresso pactado de um presidente sem poderes para “validar” eleições ilegítimas desde a origem, no mes de novembro.

O movimento ininterrupto das massas hondurenhas, como se vê nas ruas e se expressa nas declarações da Frente Nacional Contra o Golpe, busca o retorno de Zelaya à presidência para concretizar a convocação da Constituinte, e a punição dos culpados da repressão e do assassinato de populares.

Hoje, a sorte do povo hondurenho é a sorte dos povos da América Central, do continente inteiro e do mundo. É a luta pelo direito dos povos a decidir sobre seu próprio destino e a exercer sua soberania, por uma União libre de Nações Soberanas em estreita colaboração com os explorados e oprimidos dos Estados Unidos.
Deter a escalada repressiva contra o povo de Honduras é, ao mesmo tempo, enfrentar a ofensiva do governo dos EUA que hoje instala bases militares na Colômbia para ajudar as oligarquias locais a continuarem jogando seu papel de administradoras das grandes multinacionais, para derrotar o processo de resistência de todos os povos trabalhadores do continente e fazê-los pagar bilhões de dólares pelo custo da brutal crise do sistema capitalista.

A 4ª Internacional se pronuncia pelo mais amplo apoio em solidariedade ao povo hondurenho e participa, com suas seções no continente e no mundo, em todas as ações de frente única com as organizações de trabalhadores e organizações que se pronunciam pela defesa da soberania dos povos, contra a repressão, pela democracia, para realizar mobilizações e pronunciamentos em apoio ao povo de Honduras.

A 4ª Internacional diz:

-Abaixo a ditadura golpista!

-Libertação dos presos políticos, fim da repressão! Punição aos culpados!

-Zelaya Presidente, de forma imediata e incondicional!

-Assembléia Constituinte!

24.09.2009