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04 outubro, 2010

Hora da Direção Nacional do PT aprender!


minas ensina! minas aponta o caminho!

fazer com que o PT votasse em Hélio Costa em MG tinha um único sentido e uma única previsão: a tal governabilidade e derrota na certa. o que se viu ontem com os números foi a confirmação da segunda perspectiva: uma derrota significativa para o candidato de aécio que alcançou os quase 63%. derrota maior ainda se vermos que Dilma em MG obteve 46,98% dos votos contra os 30,76% de Serra.

o resultado do Maranhão também tem suas lições. A imposição da DNPT de que seus militantes apoiem Roseana Sarney, em mais um exemplo de sufocamento democrático petista, levou a uma vitória apertada da candidata (com o candidato do PCdoB, Flavio Dino quase indo para o 2 turno, inclsuive com apoio de vários petistas) e um indice altíssimo de abstenção (http://www1.folha.uol.com.br/poder/809547-recorde-de-abstencoes-ocorre-no-maranhao-onde-roseana-venceu-por-008-dos-votos.shtml)

Marina nas Alturas!


hoje pela manhã antes de me lançar a mais um dia de labuta assitia os comentários de Alexandre Garcia e Míriam Leitão a respeito de Marina Silva.

tendo como inegável sua respeitosa trajetória e sua forçosa identidade evangélica, percebia o seguinte sentimento dos comentaristas matutinos: era necessário valorizar de forma assintosa o voto Marina. era necessário engessar o voto Marina. era necessário prender os votos voláteis da Marina. tática pra isso: enaltecer a força da importância do voto de cada um. propagam Marina como a maior vencedora da eleição. qualificando o voto buscam amarrá-lo. todos os articulistas, colunistas e palpiteiros já identificaram dois grupos de eleitores da Marina. existem os anti PSDB, desiludidos com o PT, que enxergaram na Marina uma terceira via (e aqui a palavra se encaixa bem ao perfil dela ao perfil histórico do termo). Existem aqueles que compraram o coque, a saia, a postura de beata do interior, e ganharam junto o apoio recheado de mentiras e calúnias de pastores, padres e outros intermediários divinos.

levantam a Marina as alturas! não só mais Hosana!

O Mais Do Mesmo e Seus Paradoxos

acabou a peleia. para alguns certamente. para outros como um intervalo.

e tudo nos leva ao mais do mesmo: as pesquisas erraram mais uma vez; as questões morais e religiosas dominaram as leviandades contra uma candidata identificada com a esquerda; alguns votos que ninguém declara somam milhões e deixam todos perplexos. de clodovil a tirica. alguns caciques não conseguem mais o que conseguiam antes. a transferência de votos serve pra uns e não para outros.

a perplexidade de alguns na interpretação do jogo eleitoral, parte do entedimento que o voto e a escolha racional de cada eleitor segue uma linearidade. Não.

o que mais se pode perceber é um comportamento multifacetário, com várias váriaveis. é um paradoxo dizer que o mesmo eleitor ignorante e alienado que vota em um palhaço debochado em são paulo, se comporta de modo responsável e maduro prolongando o debate presidencial até o fim do mês: ou é uma, ou é outra coisa! é um paradoxo dizer que os cariocas se cansaram de césar maia, e agora querem crivella, garotinho, wagner montes e bolsonaro. é um paradoxo dizer que o povo alogoano acordou e deu um basta em Collor, e opta pela continuidade de Teotônio Villella a frente do Estado.

é tudo um paradoxo. cabe várias interpretações do mais do mesmo!

24 setembro, 2010

O vôo eleitoral de 2010



Já havia feito uma reflexão sobre essa eleição presidencial: a não vinculação das candidaturas de Serra e Dilma a seus respectivos partidos. É notável a ausência das referências partidárias, do símbolos e da imagem tanto do PSDB quanto do PT. Boa parte dessa ausência se explica.

Por parte do PSDB, não querem facilitar a compreensão do eleitor em relacionar o candidato Serra ao PSDB. Análises e pesquisas devem indicar uma reação natural de reação negativa e rejeição por boa parte dos eleitores. A não ligação de Serra ao PSDB envolve o nítido afastamento. A análise da ausência do PT na campanha de Dilma envolvem mais aspcetos. Alguns simples outros mais complexos. A priori digamos que na campanha de Dilma o essencial é a ligação de Dilma a Lula e não ao PT. A desvinculação é antiga, Lula há tempos não expressa, não carrega consigo o simbolismo do PT. Muitas vezes inclusive atuou como "pretenso mediador" entre seu próprio partido e seu próprio governo. Pairava acima da Estrela. Aqueles que hoje dirigem o PT, corroboram com essa concepção: é necessário extrapolar os limites da imagem PT. A não vinculação direta permite manobras maiores, alianças estranhas, paradoxais a própria existência do partido.


Porém essa semana, o PSDB surge como nunca na campanha. Em um papel de feroz oposicionista ao PT, papel que sempre atuou, mesmo que as vezes de forma tacanha. Em vídeos vinculados pela internet (http://www1.folha.uol.com.br/poder/803166-psdb-coloca-na-internet-videos-que-ligam-dilma-aos-radicais-do-pt.shtml) o PSDB quer fazer aquilo que ele mesmo não faz: vincular Dilma, e Lula ao PT. Querem o que me parece impossível. Aliar dois movimentos complexos, em conjunto e em um prazo curto, eleitoralmente falando.

O primeiro aspecto é uma tentativa de satanização do PT, tal qual o "ocidente" em suas artimanhas midiáticas da guerra fria faziam em relação aos soviéticos. Tal tentativa se mostra mais complexa quando analisamos os números que indicam a preferencia dos eleitores ao PT como partido mais confiável (http://www.macroabc.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=553:pt-e-o-partido-preferido-da-populacao-brasileira-aponta-ibope&catid=1:isso-e-pt&Itemid=50) mesmo, diga-se de passagem, com as lambanças e deturpações realizadas pela sua direção.

Outros aspectro dificil de se imaginar é que o eleitorado faça tal relação entre Lula-Dilma-PT. Não é de interesse de Dilma, não é de interesse de Lula. E não farão nenhum esforço para proteger a imgem do partido.

Tudo isso é prejudicial a própria dinâmica eleitoral. A não identificação impede debates maiores, de questões programática, fazando um deslocamento do eixo central eleitoral para questões personalistas, e menores. A corrida eleitoral de 2010 ocorre em grandes altitudes, acima de qualquer tucano ou qualquer estrela, infelizmente.

Eduardo Freitas
Cientista Social

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Opinião

Que o PSDB ataque o PT, suas relações com os movimento sociais, seus militantes de esquerda e que para isso use os mais sórdidos métodos: tudo bem, nada até agora foi muito diferente disso! Mas é hora do PT, dizer que é PT! Ou estará aprondundando o caminho de perda de identidade, de relação com os partidários extra periodos eleitorais, e deixando para trás o seu maior patrimônio: seus militantes, suas relações historicamente construídas e a esperança de milhões e milhões de trabalhadores, de jovens, de pequenos agricultores, de negros, de mulheres desse país!

31 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 03 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo
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parte final
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Sob o manto alvinegro começava a ver que todos os elementos referentes ao time da Estrela Solitária faziam um imenso sentido. Passava a entender que nada mais metafórico do que entender a força motriz da sociedade – a luta de classes – a partir da dicotomia do preto e do branco. Por mais que existam outras cores, outras classes, outras incríveis subdivisões chegamos quase sempre a disputa inconciliável do preto e do branco, do proletariado e da burguesia, a uma dicotomia - que alguns chamam mediocremente de mecânica – mais isso não passa pela opção marxiana, mas sim é imposta pela lógica colocada nesse sistema da propriedade privada dos meios de produção. Todas as cores, todas as classes vão se resumir na conjunção destas ou na ausência das mesmas: no preto e no branco.


E como explicar a tal estrela que ficava ali única, centrada no distintivo? Única como a saída apontada pelos bolcheviques. Única como a capacidade dos trotskistas de serem os únicos a levarem o movimento de massas à vitória perpassando os obstáculos dos aparelhos. A estrela desse modo representa a vitória das massas e única já que não cabe a tradição bolchevique aceitar as saídas generalistas de que outro mundo é possível, como se as opções fosse variadas. Para nós a situação está dada: ou socialismo ou barbárie. A saída é única e não nos cabe colocar uma cortina de fumaça sobre esta verdade inexorável. A estrela brilha sozinha, pois somente a vitória será plena com a revolução proletária mundial e a expropriação da propriedade privada dos meios de produção. Não é certo jogar pela confusão, é sempre mais revolucionário expor a verdade aos oprimidos, abrir-lhes o caminho da revolução.

Começava a transpor o terreno enlameado das hesitações e sentia que as certezas eram cada vez mais claras. O que pensar quando recordava que o maior entre todos aqueles que atuaram pela esquerda vestiu somente o preto e branco. A atuação dos heróis de Petrogrado residia naquela experiência. Reparem: Nilton Santos não aceitava que ele, enquanto responsável da ala esquerda, aceitasse passivamente o desenrolar do jogo se limitando a defender. Eis que um dia realizara movimento antes nunca observado: foi ao ataque. Era simplesmente uma mudança total daqueles que atuavam naquela posição canhota. O ataque era inimaginável e exclusivo dos que atuavam pelo centro, em um jogo quase sempre burocrático. Nilton negava esta premissa e começava a mostrar a todos que pela esquerda existia uma saída aberta para o ataque. Uma saída rápida contundente e que penetrava com êxito na defesa adversária. Ousaria alguém apontar uma única diferença entre tal prática e os bolcheviques nas jornadas de outubro?

Meus sentimentos iam se acalmando de forma espontânea a cada conexão finalizada. Era um movimento quase mágico que se desenvolvia e me trazia de novo para minha total existência. O que dizer então do fogo, elemento crucial para a dominação do homem sobre a natureza, elemento transformador da categoria principal da análise marxista: o trabalho. O que pensar quando recordamos que a primeira taça do clube de General Severiano era erguida em 1904 no mesmo momento em que os bolcheviques se preparavam para o movimento de 1905 – preâmbulo indispensável para 17. Separados por mares e quilômetros se levantavam para o mundo de forma quase simultânea.

Assim foram se erguendo, como vanguarda de dois movimentos. Em suas fileiras sempre os elementos mais destacados, não toda a massa. Não nos colocamos diluídos no movimento de massas. Dialogamos de forma permanente com todos guardando nossa independência e nossos princípios. Fazemos parte daqueles que se convencem através da experiência e não um grande contingente de massas disperso. Não há registro algum de um individuo que tenha nascido bolchevique. A opção política não é genética, inerente ao destino ou qualquer outra forma transcendental: é uma opção voluntária, uma opção material. É através da experiência política que as pessoas escolhem uma saída e lutar por ela. É dessa forma que elas escolhem o Bolchevismo. E não é em nada diferente com nossas outras escolhas. Nascemos vítima de um senso comum, do fatalismo avassalador da sociedade contemporânea, lançados em uma câmera hermética de opções dadas. Cristãos, monogâmicos, consumidores de Coca Cola, admiradores do samba da verde e rosa, defensores de uma moral familiar onipresente. E quem acha que tal fatalismo não recai sobre nossas opções desportivas? Seria ignorância plena recusar tal enunciado.

08 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 02 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo


Ali parei em busca de uma solução definitiva para este imbróglio. Resolvi pensar em cada detalhe, em cada hipótese colocada para não deixar brecha e nem vacilo algum em meu cerebelo. Era minha intenção uma solução hermética, incapaz de ser importunada por qualquer argüição. Então comecei. Antes de qualquer coisa precisava de elementos capazes de me situar naquele redemoinho de informações.

“Trotskismo!”. “Marxismo!”. “Meios de Produção!”. Pronto. Chegava até esse ponto. No Brasil a riqueza, os meios de produção, a burguesia capaz de formar seus próprios coveiros, estavam localizados em um eixo principal: Rio – São Paulo. Ali entre tais estados deveria estar obrigatoriamente minha agremiação futebolística politicamente correta. Tal opção consciente era um primeiro passo para conservar meus sentimentos de modo pacífico. Mas ora, existem tantas, quase inumeráveis equipes, clubes e grêmios recreativos. Resolvi pensar então que para os trotskistas não necessariamente é necessário que esteja em um grande partido de massas, mas é inegável que existe a necessidade de se incorporar de alguma forma ao movimento de massas. Aquelas organizações que não conseguem reunir mais de uma centena de adeptos a sua causa não passam de seitas histéricas que fazem da denúncia sua prática maior.

Limitava desse modo minha consciência grandes clubes que se ligavam pela Rodovia Presidente Dutra. Comecei então a pensar em cada um, me corroendo de receio de eu mesmo descobrir que estava errado. Receio que acabou comprovado sem razão, pois ali estava o começo de uma redenção para minha total existência, um início da linha de argumentos irrefutáveis que demonstrarei a seguir.

Descartei clubes identificados a elementos estranhos à tradição revolucionária. No Rio dois clubes já ficavam pelo caminho. Como conciliar uma atividade política com o nome de um colonizador Português? Ou ainda como seria torcer por um time cujo nome remetia a antiga região belga de Flandres colonizada pela Holanda, a mesma Holanda que por anos pilhou nossos irmãos pernambucanos? Não seria a mais alta bravata de todas!? Comprovava que tal feito não era possível, para minha imensa alegria. Em São Paulo, pensava em uma agremiação que carregava consigo uma propaganda perene de elementos religiosos, intermediários divinos em solo terreno, não! Seria demais! Restavam dessa forma cinco escolhas. Os dois times das três cores (três cores também eram as cores da grande revolução burguesa liberal ao final do século XVIII) estavam identificados com a aristocracia brasileira, sendo assim descartados de forma incisiva. O escopo da escolha diminuía para três. Ali residia meu futuro! Pois bem, me lembrei dos porcos de Orwell, metáfora de uma obra de envergadura mundial, que representava muito bem o totalitarismo soviético, os Processos de Moscou a partir da década de 30 que se afastava cada vez mais das concepções de Marx, Engels, Lênin e Trotsky na busca do socialismo. Não poderia adotar porcos no prosseguimento do meu caminho e concilia-los com uma concepção política metaforicamente definida como “anti-porcos”. Rejeito categoricamente a camarilha burocrática soviética e assim todos os seus símbolos e metáforas. Duas opções ficavam naquele momento. E para não me acusarem de ficar com a opção que restou, como se essa fosse detivesse menor mérito, a escolha entre as duas últimas opções foi feita de forma positiva. Não neguei alguma para escolher outra, parti do critério que escolhendo uma, a outra concorrente estaria automaticamente negada, e assim foi feito. Aqui cabe ressaltar, antes de dar prosseguimento, que não tenho dúvidas de que se essa fosse a metodologia utilizada no início de nosso processo investigativo o resultado final seria o mesmo. Frente as minhas escolhas restantes a tarefa era mais singela do que poderia imaginar.

Ao pronunciar os dois nomes das agremiações colocadas, fiquei entre a que incitava as massas a uma medida de rebeldia e outra opção que nada colocava para as massas a não ser um emaranhado de consoantes estranhos à fonética da Língua Portuguesa. Estava entre uma palavra de ordem que dialogava em certo sentido com os trabalhadores para que esses se sublevassem contra as normatizações legais de nossa sociedade e uma outra que confundia, que não se traduzia em atividade prática nenhuma. Minha escolha estava feita, mas a tarefa estava longe de ser concluída. Ainda restava justificativas que me assegurassem minha existência plena.

07 outubro, 2009

Cara e Coroa [ parte 01 ]

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Devaneio total sobre Botafogo Futebol e Regatas, Leon Trotsky e Trotskismo


Antes que me acusem de diletante forçoso no exercício de unir categorias diacrônicas busco salientar que a dimensão deste texto não busca o reconhecimento de quem quer que seja nem tão pouco a aceitação de normas epistemológicas mais sérias. A intenção restrita repousa em uma solução coerente para ilações que nunca foram muito convincentes as pessoas ao meu redor e que puderam compartilhar como tantos outros um aspecto marcante que carrego comigo: eu sou antes de qualquer coisa, ou melhor dizendo, a minha condição para ser, é que sou um trotskista alvinegro enaltecido pela magia de carregar uma estrela solitária e certo de que a classe operária através de suas organizações é única força motriz da sociedade capaz de direcionar a humanidade para longe da barbárie para seguir assim rumo a uma sociedade sem exploração.

O exercício destas linhas não teve sua aurora por agora. É certo que há pelo menos um decênio uma dúvida me assombrava de modo angustiante, fazendo com que por diversas oportunidades, eu me penitenciasse sem ser julgado por ninguém além de minha própria consciência confusa. Era possível ultrapassar um competente crivo marxista, e afirmar minha concepção política, tendo uma dedicação apaixonante por um clube de regatas e futebol? Estaria eu incorrendo em um erro de princípio ao deixar com que um escudo e sua prática no futebol atuasse como a mais categórica alienação das obras juvenis de Marx? Buscava eu – uma versão de Quixote carregando consigo uma foice e um martelo nas mãos e protegido por uma manta alvinegra, conciliar elementos contraditórios em sua essência? Ou ainda refletia sob uma outra perspectiva: seria eu digno de entoar o mais belo dos cânticos de Lamartine Babo sabendo que uma outra canção de A INTERNACIONAL acabava me fazendo tão efusivo quanto? Poderia eu comemorar um gol ao lado direito do Maracanã abraçando aquele que na segunda feira abre seus portões para extrair a mais valia da força de trabalho de milhares? Como tripudiar em cima de alguém, ameaçando a unidade de classe, depois de uma vitória efusiva se de fato somos todos contra os senhores?

E permito aqui confidenciar que penosa hesitação habitou horas incalculáveis de meus pensamentos. Buscava sempre uma resolução que me desse licença - sem ser onerosa a consciência - para manter vivo dois sentimentos incapazes de desaparecer voluntariamente de mim. Sentimentos que pareciam digladiar de forma constante em busca de uma simples primazia em minhas reflexões. Sentimentos que insistiam no ato perpétuo de buscar a supressão um do outro.

O caminho por onde seguia minha indecisão chegava ao ponto crucial dos caminhos literários: uma encruzilhada. Não era permitido avançar um passo sequer sem que renunciasse a qualquer um dos sentimentos, tendo ainda o pesado fardo consciente de que a renúncia significaria naquele momento mais do que o sepultamento de emoção tão pura, era mais do que isso. A renúncia significava a negação de parte da minha própria existência. A renúncia significava que aqueles com que por muito tempo debati e que algumas vezes convenci, acabavam sem esforço nenhum reafirmando todas aquelas estranhas posições por sobre as minhas. Não por eles, mas por mim mesmo, em uma disputa retórica inteiramente subjetiva e silenciosa.

Era estranho chegar até ali e me ver pensando em tudo isso. Talvez fosse mais fácil – e sim, seria! – lançar mão de uma sorte casual e decidir. Pronto. Decisão é decisão. Não cabe contestação. Mas não! Eu, marxista, convencido dos princípios da dialética materialista, refém da sorte? Talvez meu orgulho, o mais íntimo, na busca de uma ortodoxia inalcançável tenha me salvado de uma surda disputa entre a cara e a coroa!










14 setembro, 2009

Um verdadeiro diálogo dentro do PT


O Fórum do Diálogo Petista se reuniu em Brasília por ocasião do Ato de Entrega dos 43.825 abaixo-assinados a Lula pela Medida Provisória de Proibição de Demissões, quando discutiu o trabalho realizado desde o último Encontro e adotou a seguinte Carta-Convite, aberta a novas adesões:


UMA NOVA CRISE AMEAÇA O PT - A nação sofre a crise capitalista mundial, longe de estar superada.
Pesam as demissões, pesa a redução da arrecadação pelas desonerações fiscais. Por exemplo, o Fundeb para 2010 já foram cortadas em 10% por aluno! Por isso, estamos hoje aqui, na luta, entregando a Lula o abaixo-assinado pela MP de Proibição das Demissões. Como aqui esteve o MST para, depois de muita luta, conseguir descongelar uma parte das verbas da Reforma Agrária e a promessa de atualização do índice de produtividade da terra. São essas as coisas que o presidente Lula pode e deve fazer!

AONDE VAMOS PARAR? - É nesse momento que, de todos os lados, se precipitam ataques contra o PT, estigmatizando-o como se fosse o partido de sustentação de Sarney, Collor e Renan, como parece querer o presidente Lula.

Aí vem a pergunta: a crise do Senado desmoralizado precisa ser uma crise do PT? Não, se o partido se desembaraçar da falsa “governabilidade” da aliança nacional forçada e antinatural com o PMDB, uma “governabilidade” prisioneira dessas instituições esgotadas simbolizadas no Senado.


É inaceitável o presidente Lula “enquadrar” o PT. É desagregadora a ação do presidente do PT obrigando a bancada do Senado a votar por Sarney, e pressionar para abrirmos mão de candidatos próprios a governador em 2010 – o PT pode ser moído por essa política!

Por isso, a inquietação hoje atravessa os militantes e quadros do partido em todas correntes - assim, aonde vamos parar?

Isso desmoraliza a luta dos trabalhadores, ameaça uma nova debandada da militância, e abre caminho para voltar o PSDB. O que dá facilidade para as forças reacionárias que tentam reverter os avanços da soberania nacional no continente. Elas contam com a hipocrisia do presidente Obama, que deixa fazer o golpe em Honduras e instala 7 bases militares na Colômbia, enquanto a 4ª Frota quer patrulhar as águas do Pré-sal.


OUTRA POLÍTICA!
- Mas até 2010, estando o PT no governo, temos a oportunidade de discutir com o povo e propor ao presidente Lula avançar na resolução dos problemas colocados:
- a Estabilidade no Emprego evidenciada na crise econômica, e a criação de empregos para os jovens;
- a Reestatização da Vale e da Embraer, a defesa da Infraero e do monopólio dos Correios, a revogação da contra-reforma da Previdência, bandeiras adotadas pelo 10º Concut com respaldo no movimento popular;
- o Fim do Superávit Fiscal primário e da LRF para investir nos serviços públicos de Saúde e Educação (Piso Salarial Nacional), e acabar com toda a legislação herdada (OSs etc.).
- a reversão das medidas impostas pelos ruralistas, para destravar finalmente a Reforma Agrária, punir os assassinatos no campo, e resgatar o meio-ambiente, prevalecendo os direitos dos quilombolas, indígenas e ribeirinhos;
- adotar medidas Contra a Violência que atinge em especial as mulheres, os negros, a juventude e os GLBT;
- a Retirada das tropas brasileiras do Haiti, respeito da soberania nacional; abertura dos arquivos da ditadura militar .
- por fim, na ordem do dia, uma Petrobras 100% Estatal para controlar o Pré-sal, e anular os leilões, como pede o projeto da FUP (Federação dos Petroleiros) e a CUT.

O presidente Lula, tomando medidas populares, é certo que reacionários incrustados nas instituições reagirão, como os ruralistas reagiram ao anúncio do novo índice de produtividade, ou os privatistas com a CPI da Petrobras na questão do Pré-sal.

Mas não é mais possível repetir que “com esse Congresso não tem jeito, tem que fazer as alianças”...que bloqueiam as mudanças e desmoralizam o partido.

É necessário discutir como avançar numa outra política. Por exemplo, não seria o caso de decidir uma ampla consulta ao povo para passar o país a limpo e construir uma “governabilidade” com a cara do Brasil e não a cara desse Senado?

E para fazer isso, democraticamente, não seria um meio a discussão de uma Assembléia Constituinte? Uma Constituinte pode acabar com o antidemocrático Senado, para que um parlamento de representantes do povo, unicameral e proporcional, livremente eleito com novas e democráticas regras, realize as aspirações populares de justiça social e soberania nacional.

Esta é uma discussão aberta entre nós. O presidente Lula não tem a força e os meios de apresentar esta proposta? O debate não poderia continuar na campanha de Dilma a presidente? Temos aí a experiência dos povos irmãos da Bolívia, do Equador e da Venezuela que de diferentes formas e em graus variados puderam se valer de Constituintes no último período.


COLABORAÇÃO E DEBATE - Estas questões pedem uma reflexão tranqüila e serena dos petistas.

Um PED está convocado para novembro próximo. Será ele o foro adequado para debater os meios para avançarmos nas transformações, ou as suas regras limitarão tudo à composição prevista das direções partidárias? De toda forma, nós que assinamos, participaremos do PED em diferentes chapas, e nos encontraremos entre os delegados eleitos no PED ao 4º Congresso do PT.

De nossa parte, convencidos que a colaboração num amplo e verdadeiro debate entre petistas é mais necessária do que nunca, convidamos os companheiros a participar do Encontro Nacional de Diálogo Petista, em dezembro, para discutir essas e outras questões.

Conscientes de que nossas ferramentas principais de luta, as nossas organizações, são pressionadas pelo imperialismo em crise a se integrarem na política da “governança” do G-20, decidimos desenvolver a resistência integrando na discussão a preparação no Brasil da Conferência Mundial Aberta, marcada para Berlim em março de 2010.

Brasília, 26 de agosto de 2009

Ivan Sales Pereira, diretor Sintrafrios-RJ, Maurino Silva, diretor Sintespe-SC Raimundo Anastácio, diretor Sindmetro-MG, Aguinaldo Ferreira, diretor Sindpec-BA, Mateus Santos, diretor Sindpq-Campinas-SP, Manoel Aires Chavez, diretor Sinsprev-DF, Moisés Teixeira, diretor Sindicato Couro Portão-RS, Joaquim dos Santos Filho, Sindsep-DF, Luis Carlos Moraes, diretor Sindect-Campinas-SP, Katia Saraiva, presidente Sintrajufe-PE, Edison Cardoni, Executiva Condsef-CUT, Lourival Lopes, Executiva Contracs-CUT, Julio Turra, Executiva CUT, Edvaldo Souza, PT Salvador-BA, Paulo Mariante, presidente do PT-Campinas-SP, Aparecido Bianco, vereador PT-Sarandi PR, Roberto Cupollilo, vereador PT- Juiz de Fora-MG, José Vaz Parente, presidente CNASI, PT-DF, Deputado José Cândido, PT-SP, Misa Boito, DR PT-SP, Gilney Viana, DN-PT, Markus Sokol, DN-PT