16 setembro, 2009

Labor de escravos

Segue um dos mais belos trechos da literatura que tive contato. Conto de Górki, escritor russo de estirpe inegável, datado de 1897, chamado Malva. Descrição como poucas é o que se segue! Visão e Situação dos trabalhadores!



O ranger das correntes, o rodar dos vagões carregados de mercadorias, o rumor metálico das placas de ferro caindo, as sereias dos vapores, os gritos dos marinheiros e dos guardas, todos esses ruídos, tornando por assim dizer a atmosfera mais densa, como que se fundem num todo uníssono e vibrante, formidável clamor do trabalho humano, pululando, repercutindo, agitando-se sem tréguas.

O granito, o ferro, as barcas e os homens, aglomeração imensa de vida e de labor, erguem que como um hino sagrado, ao deus do Tráfego. Mas neste brouhaka confuso, as vozes dos homens são afogadas por todos os outros ruídos, e eles próprios se sentem pequenos e nulos diante da grandeza imponente que os rodeia. Cobertos de farrapos, curvados sob a s cargas enormes, agitam-se como vermes numa atmosfera abrasada e irrespirável, humilhados na sua insignificância, ao lado de colossos de ferro, das montanhas de mercadorias, dos comboios que correm vertiginosamente, de todas essas coisas, enfim, feitas de pequeninos nadas que as sua mãos ajuntaram num todo uniforme e vivo. A sua obra escraviza-os, anula-lhes a personalidade.

Os barcos gigantescos resfolegam como monstros de outras eras, parecendo porém cada silvo agudo uma nota de ironia e desprezo por esses homens que se arrastam sobre as pontes e vão encher-lhes os flancos com seus produtos do seu labor de escravos. As grandes filas de descarregadores tem o que quer que seja de ridículo e lúgubre. Curvados e anelantes, transportam enormes quantidades de trigo para goela insaciável daqueles ventres de ferro, a troco de uma miserável remuneração que mal lhes chegara para matar a fome. Esfarrapados, cobertos de suor, embrutecidos pela fadiga e pelo calor, que profunda ironia o contraste destas figuras lúgubres ao lados das máquinas reluzentes e poderosas, construídas pelas suas mãos, movidas pelos seus músculos e pelo seu sangue!

O ruído ensurdece, o pó irrita as narinas; tudo tem o aspecto de uma saturação de força latente prestes a rebentar nalguma catástrofe formidável, depois da qual o ar de novo se torne respirável, o céu readquira seu brilho, e a vida volte a tranqüilidade pacifica do seu labor natural. Mas isto não é mais do que uma ilusão criada pela esperança infatigável do homem e por essa aspiração de liberdade, imperecível e sempre ardente.

Soaram doze badaladas com uma sonoridade majestosa. O ruído confuso do trabalho foi se amortecendo pouco a pouco , como uma grande tempestade que se acalma. Apenas um murmúrio surdo errava pelas docas, onde se confundiam a voz do mar e a voz dos homens. Era hora da refeição.

(Máximo Gorki – Os Vagabundos – “Malva” – 1897)

Pra periferia? Pânico, pólvora, pápápá

Rap Nacional é a tipíca coisa que todo mundo fala e quase ninguém tem conhecimento para falar! Infelizmente esses são os fatos! Insistem na hipocrisia sem tamanho de apologia ao crime, mas do que a socidade em si, apologia as drogas, culto ao banditismo! O Rap feito no Brasil arrasta milhões de jovens, nas periferias, nos centro culturais, nos clubes para a Cultura! Cultura deles para eles mesmos!

Vale a pena compartilhar letra e música do rapper GOG chamada Brasil com P, faixa do disco CPI da Favela, de 2000.



O vídeo é do DVD Cartão Postal Bomba, com participação do vocal de Maria Rita.

Brasil Com P
(Gog)

Pesquisa publicada prova:
Preferencialmente preto, pobre, prostituta
Pra polícia prender
Pare, pense, porque?
Prossigo
Pelas periferia praticam perversidades: PMs
Pelos palanques políticos prometem, prometem
Pura palhaçada Proveito próprio,
Praias, programas, piscinas, palmas...
Pra periferia? Pânico, pólvora, pápápá
Primeira páginas
Preço pago?
Pescoço, peito, pulmões perfurados
Parece pouco?
Pedro Paulo
Profissão: pedreiro
Passa-tempo predileto: pandeiro
Preso portanto pó Passou pelos piores pesadelos
Presídios, porões, problemas pessoais, psicológicos
Perdeu parceiros, passado, presente
País, parentes, principais pertences
PC: político privilegiado
Preso parecia piada
Pagou propina pro plantão policial
Passou pela porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Promotores públicos pedindo prisões...
Prisão perpétua

Palavras pronunciadas pelo profeta, periferia

15 setembro, 2009

A História das Coisas! Que Coisa!

O vídeo que acabo de ver e reproduzo abaixo tem a duração de vinte minutos, tempo quase que impensado em se gastar quando estamos em frente do computador, com cinco ou seis tarefas sendo desempenhadas concomitantemente. Pois bem, a sugestão que faço é que insista nessa irracionalidade temporal e gaste esse ¼ de hora tão valiosa.

O vídeo “A História das Coisas” (nome original: The Story of Stuff), com 37.200.000 resultados no Google – Paginas Brasil, assistido mais de 7 milhões de vezes desde seu lançamento, é uma produção estadunidense que tem o objetivo de esclarecer e alertar sobre o modo de produção e consumo que vivemos nos dias de hoje.

Não vou problematizar aqui e agora, a ausência no vídeo do questionamento da propriedade privada dos meios de produção, ou até da extração da mais valia – elementos fundamentais e edificadores do sistema de produção capitalista, ou ainda a simples questão da necessidade de organização coletiva para o enfrentamento frente a esse sistema insustentável em contrapartida a um individualismo voluntarioso na base do cada uma faça sua parte!

Sem delongas, e sem adendos: 20 minutos no dia para pensar pelo menos algumas horas!

Insista!

14 setembro, 2009

Um verdadeiro diálogo dentro do PT


O Fórum do Diálogo Petista se reuniu em Brasília por ocasião do Ato de Entrega dos 43.825 abaixo-assinados a Lula pela Medida Provisória de Proibição de Demissões, quando discutiu o trabalho realizado desde o último Encontro e adotou a seguinte Carta-Convite, aberta a novas adesões:


UMA NOVA CRISE AMEAÇA O PT - A nação sofre a crise capitalista mundial, longe de estar superada.
Pesam as demissões, pesa a redução da arrecadação pelas desonerações fiscais. Por exemplo, o Fundeb para 2010 já foram cortadas em 10% por aluno! Por isso, estamos hoje aqui, na luta, entregando a Lula o abaixo-assinado pela MP de Proibição das Demissões. Como aqui esteve o MST para, depois de muita luta, conseguir descongelar uma parte das verbas da Reforma Agrária e a promessa de atualização do índice de produtividade da terra. São essas as coisas que o presidente Lula pode e deve fazer!

AONDE VAMOS PARAR? - É nesse momento que, de todos os lados, se precipitam ataques contra o PT, estigmatizando-o como se fosse o partido de sustentação de Sarney, Collor e Renan, como parece querer o presidente Lula.

Aí vem a pergunta: a crise do Senado desmoralizado precisa ser uma crise do PT? Não, se o partido se desembaraçar da falsa “governabilidade” da aliança nacional forçada e antinatural com o PMDB, uma “governabilidade” prisioneira dessas instituições esgotadas simbolizadas no Senado.


É inaceitável o presidente Lula “enquadrar” o PT. É desagregadora a ação do presidente do PT obrigando a bancada do Senado a votar por Sarney, e pressionar para abrirmos mão de candidatos próprios a governador em 2010 – o PT pode ser moído por essa política!

Por isso, a inquietação hoje atravessa os militantes e quadros do partido em todas correntes - assim, aonde vamos parar?

Isso desmoraliza a luta dos trabalhadores, ameaça uma nova debandada da militância, e abre caminho para voltar o PSDB. O que dá facilidade para as forças reacionárias que tentam reverter os avanços da soberania nacional no continente. Elas contam com a hipocrisia do presidente Obama, que deixa fazer o golpe em Honduras e instala 7 bases militares na Colômbia, enquanto a 4ª Frota quer patrulhar as águas do Pré-sal.


OUTRA POLÍTICA!
- Mas até 2010, estando o PT no governo, temos a oportunidade de discutir com o povo e propor ao presidente Lula avançar na resolução dos problemas colocados:
- a Estabilidade no Emprego evidenciada na crise econômica, e a criação de empregos para os jovens;
- a Reestatização da Vale e da Embraer, a defesa da Infraero e do monopólio dos Correios, a revogação da contra-reforma da Previdência, bandeiras adotadas pelo 10º Concut com respaldo no movimento popular;
- o Fim do Superávit Fiscal primário e da LRF para investir nos serviços públicos de Saúde e Educação (Piso Salarial Nacional), e acabar com toda a legislação herdada (OSs etc.).
- a reversão das medidas impostas pelos ruralistas, para destravar finalmente a Reforma Agrária, punir os assassinatos no campo, e resgatar o meio-ambiente, prevalecendo os direitos dos quilombolas, indígenas e ribeirinhos;
- adotar medidas Contra a Violência que atinge em especial as mulheres, os negros, a juventude e os GLBT;
- a Retirada das tropas brasileiras do Haiti, respeito da soberania nacional; abertura dos arquivos da ditadura militar .
- por fim, na ordem do dia, uma Petrobras 100% Estatal para controlar o Pré-sal, e anular os leilões, como pede o projeto da FUP (Federação dos Petroleiros) e a CUT.

O presidente Lula, tomando medidas populares, é certo que reacionários incrustados nas instituições reagirão, como os ruralistas reagiram ao anúncio do novo índice de produtividade, ou os privatistas com a CPI da Petrobras na questão do Pré-sal.

Mas não é mais possível repetir que “com esse Congresso não tem jeito, tem que fazer as alianças”...que bloqueiam as mudanças e desmoralizam o partido.

É necessário discutir como avançar numa outra política. Por exemplo, não seria o caso de decidir uma ampla consulta ao povo para passar o país a limpo e construir uma “governabilidade” com a cara do Brasil e não a cara desse Senado?

E para fazer isso, democraticamente, não seria um meio a discussão de uma Assembléia Constituinte? Uma Constituinte pode acabar com o antidemocrático Senado, para que um parlamento de representantes do povo, unicameral e proporcional, livremente eleito com novas e democráticas regras, realize as aspirações populares de justiça social e soberania nacional.

Esta é uma discussão aberta entre nós. O presidente Lula não tem a força e os meios de apresentar esta proposta? O debate não poderia continuar na campanha de Dilma a presidente? Temos aí a experiência dos povos irmãos da Bolívia, do Equador e da Venezuela que de diferentes formas e em graus variados puderam se valer de Constituintes no último período.


COLABORAÇÃO E DEBATE - Estas questões pedem uma reflexão tranqüila e serena dos petistas.

Um PED está convocado para novembro próximo. Será ele o foro adequado para debater os meios para avançarmos nas transformações, ou as suas regras limitarão tudo à composição prevista das direções partidárias? De toda forma, nós que assinamos, participaremos do PED em diferentes chapas, e nos encontraremos entre os delegados eleitos no PED ao 4º Congresso do PT.

De nossa parte, convencidos que a colaboração num amplo e verdadeiro debate entre petistas é mais necessária do que nunca, convidamos os companheiros a participar do Encontro Nacional de Diálogo Petista, em dezembro, para discutir essas e outras questões.

Conscientes de que nossas ferramentas principais de luta, as nossas organizações, são pressionadas pelo imperialismo em crise a se integrarem na política da “governança” do G-20, decidimos desenvolver a resistência integrando na discussão a preparação no Brasil da Conferência Mundial Aberta, marcada para Berlim em março de 2010.

Brasília, 26 de agosto de 2009

Ivan Sales Pereira, diretor Sintrafrios-RJ, Maurino Silva, diretor Sintespe-SC Raimundo Anastácio, diretor Sindmetro-MG, Aguinaldo Ferreira, diretor Sindpec-BA, Mateus Santos, diretor Sindpq-Campinas-SP, Manoel Aires Chavez, diretor Sinsprev-DF, Moisés Teixeira, diretor Sindicato Couro Portão-RS, Joaquim dos Santos Filho, Sindsep-DF, Luis Carlos Moraes, diretor Sindect-Campinas-SP, Katia Saraiva, presidente Sintrajufe-PE, Edison Cardoni, Executiva Condsef-CUT, Lourival Lopes, Executiva Contracs-CUT, Julio Turra, Executiva CUT, Edvaldo Souza, PT Salvador-BA, Paulo Mariante, presidente do PT-Campinas-SP, Aparecido Bianco, vereador PT-Sarandi PR, Roberto Cupollilo, vereador PT- Juiz de Fora-MG, José Vaz Parente, presidente CNASI, PT-DF, Deputado José Cândido, PT-SP, Misa Boito, DR PT-SP, Gilney Viana, DN-PT, Markus Sokol, DN-PT

Compartilhando

Sempre tive bastante dificuldade em colocar títulos em minhas redações quando criança, em trabalhos de faculdade quando acadêmico e agora nesse exercício de se tornar construtor de alguma coisa em um mundo em que (quase) todos são possibilitados: a tal da web.

Talvez aqui me permita escrever mais as coisas, passando do campo das ideias para o campo da escrita, exercicio dificil mas que possibilita o compartilhar das coisas. Taí... "Compartilhar as coisas", talvez algo que brote no meu consciente racional todas as manhã junto com o despertar vagaroso das pálpebras.

Talvez por isso goste tanto de uma Roda de Samba, onde se compartilham copos, palmas, garçons poesia e vozes; talvez por isso admire e escute Rap Nacional, onde se compartilham guetos, resistência, scratchs, poesia e rimas; talvez por isso seja um entusiasmado ator da Política, compartilhando sonhos, utopias, certezas e indiganções; stalvez por isso seja um apaixonado pela Universidade Pública, locus de compartilhar saber, sotaques, universos e vidas; talvez por isso tenha sido arrebatado pelo Botafogo de Futebol e Regatas, onde se compartilha alegrias únicas, sofrimentos inimagináveis, coisas que só acontecem ao Botafogo; talvez por isso queria escrever tudo aqui, um pouco de Utopias, Ritmo e Poesia.